Como foi, do começo ao ajuste.
Naquela meia maratona, corri sem fones. Uma razão era prática: havia chuva, e eu não queria estragá-los. Mas a experiência abriu outro espaço.
Sem uma música acompanhando cada passo, fiquei mais perto dos meus pensamentos e do que estava acontecendo ao redor.
Pensei na minha vida. Conversei comigo e com o que reconheço como espiritualidade. Percebi outras pessoas atravessando o mesmo percurso, cada uma com a própria história.
Eu lembro dessa presença porque ela fez parte da minha experiência. Não significa que agora toda corrida precise ser assim, nem que exista um jeito certo de sentir o caminho.
Quero guardar a possibilidade de prestar atenção. Em outro dia, talvez a música faça sentido. Em outro, talvez eu queira ouvir o ambiente.
O que ficou daquela prova foi uma lembrança concreta: eu estava ali, com meus pensamentos, com o tempo daquele dia e com outras pessoas. O percurso tinha mais coisas para me mostrar do que a distância.





